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LABORATÓRIO DE APRENDIZAGENS SELVAGEM (LAS)

De que maneira a escola integra o território em suas experiências de aprendizagens, reconhecendo e comunicando saberes ancestrais no processo de escolarização de crianças e professores? 

É a partir dessa pergunta que o acompanhamento proposto pela Associação Selvagem, no âmbito do Laboratório de Aprendizagens Selvagem (LAS), se orienta: não como verificação de metas, mas como escuta dos processos vivos que já acontecem em 5 escolas e 3 universidades espalhadas pelo Brasil

A pergunta não busca respostas únicas, mas deslocamentos. Ela convida a observar como o território entra na sala de aula, como as crianças se relacionam com o mundo ao seu redor e como os saberes ancestrais deixam de ser conteúdo e passam a ser prática, presença e vínculo. Entendemos que acompanhar é também aprender a ler o que nasce do chão: perceber quando uma árvore vira mestra, quando uma história vira método, quando uma comunidade atravessa o currículo. Assim, o acompanhamento se constrói como um gesto de cuidado e reconhecimento, atento às pequenas transformações, aos tempos próprios de cada escola e às formas singulares com que educadores e crianças fazem emergir outros modos de aprender e de existir juntos.

CONHEÇA AS INSTITUIÇÕES PARCEIRAS
Escola Municipal Professor Escragnolle Dória

Local: Complexo da Pedreira – Rio de Janeiro (RJ)
Comunidade envolvida: 440 crianças e 20 professores
Colaboradora LAS: Genicelle Colchone

PLANEJAMENTO ANUAL DAS ATIVIDADES
OFICINA 1
Bordando as memórias da Pedreira
07/05, 08/05 e 28/05

Oficineira: Thais Reis (Bordadeira e atelierista)
Fotografia: Rosemberg Awni
Correspondente LAS: Genicelli Conchone e Daniele Oziene
Voluntários: Carol Delgado, Claudia Daher, Eliane Brígida Falcão
Coordenação: Veronica Pinheiro
Data: 07/05, 08/05, e 28/05

A oficina Bordando as Memórias da Pedreira integra o conjunto de ações do LAS na Escola Municipal Professor Escragnolle Dória, se inspirando em materiais Selvagem como a Flecha A Fera e a Esfera e no Ciclo Memórias Ancestrais. A partir dessas referências, compreende-se que a memória não se limita ao passado, mas constitui uma tecnologia viva de transmissão de mundos, capaz de atualizar conhecimentos, reorganizar vínculos comunitários e sustentar formas sensíveis de relação com o território.

PASSEIO
Aprendizagens na Ilha de Paquetá
14/05

Mediação pedagógica: Professora Genicelle Colchone.
Atividade Musical: Thiago Café
Coordenação de atividades Veronica Pinheiro
Turma:  3º ano EF (40 alunos)
4 educadores Escragnolle
6 Equipe Selvagem

Esta proposta apresenta uma vivência pedagógica territorializada com estudantes da Escola Municipal Professor Escragnolle Dória (RJ), estruturada como um passeio educativo à Ilha de Paquetá, em diálogo direto com o Ciclo das Águas da Selvagem.

O Ciclo das Águas compreende a água como um elemento originário, que gera, sustenta e conecta toda a vida, mobilizando reflexões que atravessam dimensões ecológicas, culturais, espirituais e políticas. Nesse sentido, a proposta desloca a água de uma compreensão apenas como recurso natural para afirmá-la como entidade viva, portadora de memória, linguagem e ancestralidade.

A atividade articula educação ambiental, patrimônio cultural, memória social e saberes ancestrais, em consonância com a Lei 11.645/2008, promovendo o reconhecimento das presenças indígenas e afro-brasileiras nos territórios e nas águas da Baía de Guanabara — compreendida, no âmbito do Ciclo das Águas, como território sagrado, atravessado por narrativas de origem, cantos e cosmologias.

OFICINA 2
Um filme de Memórias da Pedreira
2º semestre de 2026

Local: Escola Municipal Professor Escragnolle Dória
Público: Crianças de 6 a 11 anos
Duração sugerida: 4 semanas
Linguagem: Audiovisual, memória, território e imaginação

Nesta oficina, as crianças serão convidadas a olhar para o território onde vivem, o Complexo da Pedreira/RJ, como um lugar cheio de histórias, paisagens, pessoas e acontecimentos.

A proposta é transformar lembranças, cenas do cotidiano, sons da comunidade, brincadeiras e caminhos do território em pequenos registros audiovisuais, criando um arquivo sensível das memórias da Pedreira.

Mais do que ensinar técnicas de filmagem, a oficina propõe escuta, observação e pertencimento, convidando as crianças a perceberem que seus olhares também podem contar histórias importantes sobre o lugar onde vivem.

Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (GO)

Meu nome é Larissa Bitencourt Fontes, do povo Medzeniako – que significa “Aos que nascem falando a língua”, meu povo também é conhecido como Baniwa. Nasci na comunidade Assunção do Rio Içana, pertencente à Terra Indígena Alto Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira – Amazonas. Sou uma geração que tem uma forte história, venho de uma linhagem muito importante para meu povo Medzeniako. Meus avós são grandes pessoas com muita sabedoria, que me inspiram a seguir passos dos conhecedores. Sou uma jovem de 19 anos, faço parte do grupo de jovens da comunidade, faço parte também de jovens que representam nos eventos institucionais da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN, nas assembleias, seminários, oficinas, com vários temas, como: educação, sustentabilidade, saúde, território e protagonismo de jovens dentro dos territórios.

Participo de conselho escolar, minha avó Bibiana Fontes é parteira e dona de roça, meu avô Francisco é grande mestre Madzero e minha avó Lúcia Bitencourt é uma grande dona de roça. Essas pessoas me inspiram muito a cada dia olhar meu território com outros olhares, valorizar os mais velhos, aprender a ouvi-los mais. Eles são minhas fontes de inspiração, assim, como minha mãe tem sido exemplo de determinação e força. A minha família é a minha base, é a minha universidade indígena na comunidade. Na minha comunidade sou uma liderança jovem, que toca violão e flauta transversal, sou uma sonhadora que faz parte da Escola Viva Madzerokai – Casa dos Conhecimentos Ancestrais, um sonho que é coletivo.

MADZEROKAI
Escola Viva Baniwa

Os Baniwa (Medzeniakonai) são habitantes do sistema cultural e multilíngue do Alto Rio Negro, área de aproximadamente 250 mil km2, que abrange o noroeste da Bacia Amazônica. É nesta região que se encontra a Madzerokai, Casa dos Conhecimentos Ancestrais, a Escola Viva Baniwa.

SAIBA MAIS
Frank Baniwa

Sou Frank Bitencourt Fontes da etnia Baniwa, de clã Waliperidakenai, nasci no dia 12 de novembro de 1991, na comunidade de Assunção do Içana, filho do senhor Francisco Luis Fontes (Francisco Baniwa) e da dona Lúcia Bitencourt, ambos agricultores e artesãos. Desde criança, sempre gostei de desenhar e pintar. Grande parte do talento que tenho hoje vem dos meus pais. Desde a escola, eu desenhava as pesquisas com os sábios da comunidade sobre lugares sagrados, plantas medicinais, lugares de piracemas de peixes, instrumentos musicais, cantos e roças tradicionais.

Também desenhava e pintava nos eventos religiosos católicos, como a gincana Mariana, que acontece todo ano na comunidade. Uma das pinturas que fiz foi de Nossa Senhora da Amazônia, também desenhei imagem de Nossa Senhora da Natureza, usando criatividade para pensar como seria essa deusa protetora da natureza.

A convite da Francy Baniwa, sou o autor dos desenhos que se encontram no livro Umbigo do Mundo, no total são 75 obras. Também, com tinta aquarela, criei 30 obras para tese de doutorado da Francy sobre as donas de roças, realizando vários trabalhos femininos e também constelações, que são fundamentais no ciclo da nossa vida dentro dos territórios. As 75 aquarelas foram adquiridas pelo Instituto Inhotim.

MADZEROKAI
Escola Viva Baniwa

Os Baniwa (Medzeniakonai) são habitantes do sistema cultural e multilíngue do Alto Rio Negro, área de aproximadamente 250 mil km2, que abrange o noroeste da Bacia Amazônica. É nesta região que se encontra a Madzerokai, Casa dos Conhecimentos Ancestrais, a Escola Viva Baniwa.

SAIBA MAIS
Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Governador Adauto Bezerra

Local: Crato – Ceará (CE)
Comunidade envolvida: 15 estudantes do Ensino Médio
Colaborador LAS: Franklin Lacerda

PLANEJAMENTO ANUAL DAS ATIVIDADES
OFICINA 1
Rastros, o diálogo entre as linguagens tradicionais da arte e a intervenção urbana na busca pelo pertencimento cultural e territorial no Cariri cearense
24/04 a 24/05

Oficineiro e correspondente LAS: Franklin Lacerda
Coordenação: Veronica Pinheiro
Data: 07/05, 08/05, e 28/05

A oficina propõe uma imersão em práticas artísticas contemporâneas que articulam arte, território e intervenção urbana, tomando o Crato como campo vivo de experimentação, em relação com materiais Selvagem como o ciclo Memórias Ancestrais, o filme Catar Cacos de Lenda e os cadernos Tudo na Memória, Práticas Coletivas das Escolas Vivas e Nosso corpo é o nosso chão.

Ayani Huni Kuï

Ayani Huni Kuin (1988, Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão – AC) é artista e mãe. Ela trabalha com uma diversidade de linguagens artísticas, como a pintura, o desenho, a tecelagem e a miçanga. Ayani teve seu primeiro contato com esses saberes através de sua mãe, ainda na infância, e hoje também ensina o fazer artístico a seus filhos. Além das obras desenvolvidas em seu território, na Aldeia Coração da Floresta – Escola Viva Huni Kuin, Ayani também faz trabalhos em parceria com artistas de outras comunidades do território do Jordão.

SHUBU HIWEA
Escola Viva Huni Kuï

A Escola Viva Shubu Hiwea é um sonho do pajé Dua Busë. Ele vive com sua família na aldeia Coração da Floresta, no Alto Rio Jordão. Dua Busë possui profundos saberes da cultura Huni Kuï – de histórias, medicina, música e espiritualidade – e, ao longo dos anos, tem transmitido seus conhecimentos para outros pajés e aprendizes. Em sua aldeia, ele criou um grande jardim, que batizou de Parque União da Medicina, onde são feitos cultivos, estudos e práticas dos saberes da medicina tradicional.

SAIBA MAIS
Universidade Federal do PAMPA / UNIPAMPA

O Curso de Extensão Aprendizagens Interculturais para professores e educadores populares será um curso on-line para 700 professores com certificação emitida pela UNIPAMPA em parceria com a Selvagem. As aulas serão ministradas nas plataformas da Universidade nos 2 semestres de 2026. O curso Aprendizagens Interculturais existe desde 2018, e em 2026, funcionará em parceria com o Grupo Aprendizagens Selvagem, com co-coordenação de Veronica Pinheiro.

O curso será reeditado e contará com a participação dos coordenadores e professores das Escolas Vivas ministrando aulas ao longo de sua duração.

O acompanhamento das atividades dos participantes, gestão e pagamento das aulas será de responsabilidade da Universidade.

Veronica Pinheiro já integra a equipe consultiva e atua como professora do curso de extensão Aprendizagens Interculturais da UNIPAMPA desde janeiro de 2025. Esta atividade colabora para garantir formação continuada para professores promovendo ações alinhadas com os ODS 4 (Educação de Qualidade), 10 (Redução das Desigualdades), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e 13 (Ação Climática).

O Curso de Extensão “Aprendizagens interculturais: produção de sentidos na educação” – IX Edição será oferecido de forma online, gratuito, totalizando 40h de atividades.

Coordenadora de Ext. Maria Cristina Graeff Wernz – mariawernz@unipampa.edu.br
Prof. Dr. Onorio Isaías de Moura Kaingang – onoriodemoura@gmail.com

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