Skip to main content
Living Schools

“VIVA VIVA ESCOLA VIVA”: caminhos da nova exposição das Escolas Vivas

By 29 de May de 2026No Comments
Back
Home
“VIVA VIVA ESCOLA VIVA”:
caminhos da nova exposição das Escolas Vivas

29 de maio de 2026

 

Pinturas em tela, cestarias, tecelagens e esculturas realizadas nos territórios das cinco Living Schools (Baniwa, Guarani, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka) estarão reunidas na nova edição da exposição “Viva Viva Escola Viva”, com curadoria de Cristine Takuá, que ficará em cartaz do dia 10 de junho até dia 9 de agosto no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Artistas e coordenadores das Escolas Vivas na residência Casa Escola Viva em 2025
Foto: Elea Mercurio

Antes de chegar ao Instituto Tomie Ohtake, a Selvagem realizou a primeira exposição das Escolas Vivas na Casa Brasil, no Rio de Janeiro, entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024. Desde então, a arte produzida pelas Escolas Vivas vem sendo fortalecida, celebrada e ampliada por diferentes ações da Selvagem, entre elas a residência artística Living School House artistic residency, em outubro de 2025, no Museu de Arte Moderna do Rio Janeiro (MAM – Rio).

Exposição “Viva Viva Escola Viva” na Casa Brasil entre 2023 e 2024, no Rio de Janeiro
Foto: Clara Almeida

As obras que compõem a nova exposição nasceram tanto da residência quanto das oficinas realizadas nos territórios das Escolas Vivas, que vêm acontecendo desde 2024 e foram concebidas a partir dos seus interesses e de seus fazeres tradicionais. Cada oficina foi um momento de criação, encontro e celebração de seus saberes, reunindo crianças, jovens, artistas, mestres e famílias que agora irão compartilhar suas criações com o público.

Palmeiras feitas por artistas Guarani durante oficina na Escola Viva Guarani, em fevereiro de 2025

Na Aldeia Escola Floresta, da Maxakali Living School, as oficinas aconteceram em agosto de 2024 e entre março e abril de 2026 em diálogo com o processo de constituição de uma Casa das Artes no território. Durante os encontros, telas individuais e coletivas foram produzidas, um mastro mîmãnãn — “pau da religião”, na língua maxakali — foi esculpido e pintado, e vestidos que atravessam a relação entre a aldeia e os yãmiyxop, espíritos ancestrais, foram tecidos e decorados. 

Obras realizadas durante oficina na Escola Viva Maxakali, em março de 2026

Em fevereiro e outubro de 2024 e janeiro de 2026, na Guarani Living School, a Arandu Porã, aconteceu a produção de telas pelos jovens a partir de histórias contadas por Carlos Papá, coordenador da Escola Viva, além de uma série de ilustrações de palmeiras da Nhe’ëry e da construção da “Oca do escuro”, instalação que estará presente na nova exposição e será finalizada no próprio Instituto Tomie Ohtake.

Madzerokai, Baniwa Living School, também preparou uma instalação chamada “Umbigo do mundo”, feita com trançados de fibra de tucum, a partir de técnicas ancestrais das mulheres baniwa, que levará uma parte das suas narrativas míticas de origem para a exposição.

Processo de criação da obra “Umbigo do mundo”, na Escola Viva Baniwa, 2026

Na Escola Viva Baniwa, no Rio Içana, as oficinas começaram em abril e maio de 2025, período em que também foram realizadas atividades para a exposição no Bahserikowi, a Escola Viva dos povos Tukano-Desana-Tuyuka, em Manaus. As oficinas contaram com a participação de Anna Dantes, diretora da Selvagem, Cristine Takuá, coordenadora geral das Escolas Vivas, e Carlos Papá, coordenador da Escola Viva Guarani, em uma viagem que conectou esses dois centros da região amazônica. Foram dias de trabalho coletivo em torno da cestaria, de pinturas corporais e em tela, de transmissão de saberes sobre grafismos e outras práticas tradicionais.

Oficina na Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka em 2025

Na aldeia Coração da Floresta, a Huni Kuin Living School, os anciãos Dua Buse e Nete acolheram em sua casa a pintura de telas, que reuniram toda a comunidade para uma semana de atividades. A partir de histórias e cantos feitos pelo pajé Dua Busë, foram produzidas desenhos sobre o surgimento das medicinas a partir dos antigos humanos Huni Kuin em tempos ancestrais; e também uma diversidade de kenes, os grafismos tradicionais e ritualísticos do povo Huni Kuin.

Pinturas na Escola Viva Huni Kuin

Somam-se às peças criadas nos territórios obras vivas realizadas no próprio espaço expositivo durante o período de montagem pelos integrantes das Escolas Vivas, entre elas cinco bandeiras — uma criada por cada Escola Viva — que carregam grafismos de seus povos. A exposição também conta com pinturas de Ailton Krenak, Ehuana Yaira Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri (Luiz Lana) e Moisés Piyãko, artistas cujas obras ampliam os diálogos da mostra ao trazer outras cosmologias, narrativas e modos de habitar o mundo através de suas obras. 

Ao longo da mostra, o mais novo livro do mestre e coordenador da Escola Viva Guarani Carlos Papá, “Tekoypy rã – A origem de nós”, publicado pela Dantes Editora, poderá ser adquirido na exposição, além do site da Dantes. O livro, com texto integral em Guarani e português, reúne reflexões sobre a composição do mundo Guarani, narradas a partir da oralidade e acompanhadas por desenhos produzidos ao longo desse processo coletivo de transmissão de saberes.

Reunindo obras, encontros e processos construídos coletivamente, “Viva Viva Escola Viva” marca mais um movimento das Escolas Vivas na Selvagem, uma caminhada que continua se fazendo em colaboração e parceria. Nas próximas semanas, contaremos mais sobre as notícias, as novidades e os percursos que atravessam a nova exposição. 

Através da página da mostra em nosso site, você pode conhecer mais sobre esta nova edição de “Viva Viva Escola Viva”, assim como saber mais sobre os artistas que participam dela. E para ficar por dentro das atividades das Escolas Vivas, aproveite para navegar pela página Living Schools em nosso site, onde também é possível apoiar financeiramente a transmissão de saberes tradicionais nos seus territórios, e acompanhe a Selvagem pelo Instagram and Youtube.