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Escolas Vivas

“VIVA VIVA ESCOLA VIVA”: uma nova exposição de pensamentos

By 6 de julho de 2026No Comments
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“VIVA VIVA ESCOLA VIVA”,
uma nova exposição de pensamentos

06 de julho de 2026

 

“Normalmente vocês estão acostumados a ver exposição de arte, mas a gente faz exposição de pensamento, desse pensamento que vem lá de uma memória muito antiga, que a avó da avó da avó de nós tudo sempre sonhou e fez, que é viver tranquilo” – Cristine Takuá, curadora da exposição e coordenadora das Escolas Vivas

“Viva Viva Escola Viva” é a nova exposição das Escolas Vivas, em cartaz até o dia 9 de agosto no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com curadoria de Cristine Takuá. A mostra dá continuidade a um sonho que começou com a primeira edição de “Viva Viva Escola Viva” na Casa Brasil, e é fruto de muitos anos de cuidado e elaboração junto às cinco Escolas Vivas.

Núcleos Guarani, Tukano-Desana Tuyuka, Baniwa, Maxakali e Huni Kuin.
Fotos: Filme d’água.

“Essa exposição é o grande sonho nosso como Escolas Vivas. É a nossa ciência, a nossa sabedoria, as nossas línguas, as nossas narrativas, a nossa memória, a oralidade. A gente está compartilhando hoje com vocês esse mergulho profundo na cosmologia, esse mergulho profundo em outros mundos que a gente está apresentando pra vocês, que é um conhecimento vivo nosso dos territórios.” – Francy Baniwa, coordenadora da Escola Viva Baniwa

Com coordenação da educadora, mãe, parteira e pensadora Cristine Takuá, do povo Maxakali, as Escolas Vivas são um movimento de apoio ao fortalecimento e a transmissão de saberes em cinco territórios indígenas dos povos Baniwa, Guarani, Huni Kuin, Maxakali, Tukano, Desana e Tuyuka. O nome “Escolas Vivas” nasceu na língua hatxa kuin do povo Huni Kuin como “Shubu Hiwea”, através do pajé Huni Kuin Dua Buse, coordenador da Escola Viva Huni Kuin e o primeiro a conceber o desenho para este conceito. As Escolas Vivas estão incorporadas a tudo na Associação Selvagem, em um fluxo contínuo de trocas, articulações em parceria e apoio financeiro aos territórios.

O pajé e coordenador da Escola Viva Huni Kuin Dua Busë na pré-abertura de “Viva Viva Escola Viva”.
Foto: Filme d’água.

“Esse apoio às Escolas Vivas que a Selvagem faz é totalmente recíproco, porque a gente tem a confiança, a amizade e um trabalho de continuidade. Não é um trabalho que tem uma data para acabar, como um projeto. É um trabalho que a gente quer que seja como uma floresta, que seja pra sempre.” – Anna Dantes, diretora da Associação Selvagem

Desde 2024, diferentes obras foram produzidas nos territórios das Escolas Vivas através de oficinas para a exposição, que reuniram crianças, jovens, mestres e mestras para a realização de criações artísticas concebidas a partir dos interesses e dos fazeres tradicionais de cada comunidade. Junto a essas oficinas, realizadas em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, em outubro de 2025 aconteceu a residência artística indígena Casa Escola Viva, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM – Rio), que deu origem a muitas das obras apresentadas na exposição. Da residência também nasceu o filme “Nossa mão é uma flor”, que apresenta uma parte dos gestos, cantos e processos de criação das obras que agora integram a nova exposição.

Ao visitar a mostra, o público poderá conhecer os residentes por meio de cinco vídeos-depoimentos gravados ao final da residência, onde cada um compartilha sobre suas trajetórias, inspirações e impressões sobre os dias de trocas coletivas. Esses registros também deram origem a cinco novos cadernos Selvagem, um dedicado a cada Escola Viva, que serão publicados ao longo do mês de julho, assim como o caderno “Arte é mercadoria?” que reúne os diálogos da roda de conversa sobre artes indígenas, o mercado da arte e as instituições culturais e museais que aconteceu ao final da residência.

Depoimentos dos artistas gravados durante a residência Casa Escola Viva disponíveis na exposição.
Fotos: Filme d’água.

Sueli e Isael Maxakali, coordenadores da Escola Viva Maxakali, junto a Mamei e Isabelinha Maxakali na pré-abertura da exposição.
Foto: Filme d’água.

“Não é só uma exposição, nós estamos trazendo todo o nosso conhecimento, toda a força da natureza, todos os espíritos que vêm junto com nós, as pessoas que já partiram e deixaram o conhecimento pra nós, a nossa memória viva.” – Sueli Maxakali, coordenadora da Escola Viva Maxakali

Além de núcleos que reúnem os saberes de cada Escola Viva, a exposição conta com uma seção dedicada aos “avós”, entendidos como referências fundamentais na preservação e transmissão de conhecimentos. São eles que sustentam, por meio de histórias, cantos e práticas cotidianas, uma memória que atravessa o tempo e conecta diferentes planos de existência. Ao trazer essas presenças para o espaço expositivo com obras de Ailton Krenak, Ehuana Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri (Luiz Lana) e Moisés Piyãko, a ideia é aproximar modos de saber baseados na escuta, na experiência e na continuidade entre gerações.

A exposição apresenta ainda grandes murais pintados por 25 artistas das Escolas Vivas no Instituto Tomie Ohtake durante a montagem, mesmo período em que cinco bandeiras com grafismos dos povos que compõem as Escolas Vivas foram confeccionadas e estendidas. Também está disponível para o público um jornal sobre a exposição, reunindo os textos presentes na mostra, fotografias das obras e conteúdos que aprofundam o universo das Escolas Vivas, incluindo informações sobre cada um dos povos participantes. A publicação pode ser adquirida durante a visita à exposição ou acessada em versão digital por aqui.

Criações durante a montagem da exposição.
Fotos: Acervo Selvagem.

Francy Baniwa, coordenadora da Escola Viva Baniwa, durante fala na pré-abertura da exposição.
Foto: Filme d’água.

“A gente está aqui pra compartilhar com vocês toda essa sabedoria que a gente vive nos territórios. Quando vocês puderem assistir, apreciar uma tela, saiba que você está dando um passo e pisando naquele território ancestral.” – Francy Baniwa, coordenadora da Escola Viva Baniwa

“Viva Viva Escola Viva” tem desenhos, pinturas, instalações e cadernos com conteúdos indígenas publicados pela Selvagem. Entre as instalações está o “Umbigo do mundo” do povo Baniwa, útero originário cuja membrana é feita de casca de árvore tururi pintada com os mitos e as regras que acompanham a gestação Baniwa. A obra começou a ser pensada no começo de 2025 na oficina realizada na comunidade de Assunção do Içana, território do povo Baniwa, em preparação para a exposição, e traz narrativas que estão presentes no livro “Umbigo do mundo” (Dantes, 2023), escrito por Francy Baniwa junto a sua família. A instalação foi feita em etapas, desde a preparação do material, passando pela construção da estrutura da barriga e do útero, até ser revestida com trançados de fibra de tucum a partir de técnicas ancestrais das mulheres Baniwa. Já muitos dos kenes do povo Huni Kuin, a escultura “Tekoypy rã” da Escola Viva Guarani e os mastros e as telas do povo Maxakali foram produzidos no ano de 2026 em oficinas nos seus territórios.

Thais Desana, João Paulo Tukano, coordenador da Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka, e o kumu Anacleto Tukano.
Foto: Filme d’água.

“Cada quadro, cada animal, cada planta pintada é um portal. Atrás dela existem histórias, existem nossas histórias e nossas existências.” – João Paulo Tukano, coordenador da Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka

No dia 9 de junho, na pré-abertura da exposição, coordenadores e artistas das Escolas Vivas estiveram presentes junto a um público de 1.616 pessoas dispostas a ver, escutar e celebrar mais uma etapa da jornada das Escolas Vivas com a Associação Selvagem ao longo de uma noite de cantos, falas, artesanatos e do lançamento do livro “Tekoypy rã, a origem de nós” de Carlos Papá, coordenador da Escola Viva Guarani, publicado pela Dantes Editora.

Carlos Papá, autor e coordenador da Escola Viva Guarani, no lançamento de seu livro “Tekoypy rã – A origem de nós” (Dantes, 2026).
Fotos: Filme d’água.

O pajé Dua Busë durante fala na pré-abertura da exposição.
Foto: Filme d’água.

“Essa nossa Escola Viva não é brincadeira, é coisa verdadeira” – Dua Busë, coordenador da Escola Viva Huni Kuin

Para a montagem e preparação da exposição, os artistas e coordenadores das Escolas Vivas ficaram hospedados em uma casa coletiva na cidade de São Paulo e, após a abertura, seguiram juntos para uma imersão na Escola Viva Guarani, na Terra Indígena Ribeirão Silveira. Depois da realização da primeira edição da exposição entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, esta foi a segunda oportunidade de reunir presencialmente todos os coordenadores das Escolas Vivas e grande parte de seus artistas.

Também integram a programação da exposição oficinas gratuitas com Veronica Pinheiro, coordenadora do Laboratório de Aprendizagens Selvagem (LAS), que propõe ao público um deslocamento: desacelerar o olhar para perceber aquilo que insiste em permanecer depois da visita. A próxima oficina “Tudo na memória”, aberta ao público, acontece no dia 11 de julho, sábado, às 11h e a inscrição pode ser feita por aqui.

Roda de falas e cantos na abertura da exposição.
Fotos: Filme d’água.

A nova exposição “Viva Viva Escola Viva” é um grande encontro que, como colocou a curadora Cristine Takuá, reúne pensamentos em torno dos valores de abundância, de reciprocidade e do bem-viver pautados na ancestralidade, na memória, nas florestas, nos espíritos e territórios, e que agora generosamente são partilhados com o público. Para se aprofundar na nova exposição, conheça:

Oficinas nos territórios

Como desdobramento da residência Casa Escola Viva e da parceria com o Instituto Tomie Ohtake, foram realizadas oficinas artísticas nos territórios das cinco Escolas Vivas entre 2024 e 2026. Três dessas oficinas ocorreram após a residência Casa Escola Viva, junto às Escolas Vivas dos povos Guarani, Maxakali e Huni Kuin, resultando na criação de pinturas, instalações e objetos artísticos que integram a exposição. Essas ações deram continuidade aos processos iniciados durante a residência, expandindo a criação coletiva nos próprios territórios. 

Para mais detalhes, você pode ler a notícia publicada em nosso site “Viva Viva Escola Viva”: caminhos da nova exposição das Escolas Vivas e assistir aos vídeos das oficinas Guarani, Maxakali, Huni Kuin e Tukano-Desana-Tuyuka no canal Selvagem no Youtube.

Residência artística indígena Casa Escola Viva

A residência Casa Escola Viva ofereceu a 10 artistas, 2 de cada uma das 5 Escolas Vivas, um espaço para total dedicação à criação artística durante duas semanas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM – Rio), em que as crianças também foram acolhidas e participaram das produções artísticas. No MAM Rio, o trabalho teve a coordenação cotidiana de Vidi Descaves e Olivia Silveira, artistas visuais e educadores que acolheram e incentivaram a arte que cada artista já trazia de seu território, assim como ofereceram oportunidades de aprendizado e novas percepções. 

O foco da residência foi o intercâmbio de experiências entre os artistas indígenas, além de oferecer uma oportunidade para se dedicarem inteiramente à criação durante um tempo prolongado. Ao final, o público teve a oportunidade de conhecer os trabalhos e os artistas das Escolas Vivas em uma mostra aberta que contou com mais de 200 visitantes. Essa foi a primeira vez que o Bloco Escola recebeu artistas indígenas, e mais ainda, uma residência artística totalmente indígena, conectada aos territórios e às comunidades de origem através do movimento Escolas Vivas.

Além do trabalho diário dos artistas no espaço do Bloco Escola, a residência incluiu visitas a duas exposições no MAM Rio, ao Pão de Açúcar e ao ateliê da artista plástica Mucki Botkay; uma oficina sobre o preparo e utilização de tintas naturais, com Jhon Bermond; uma oficina de pintura para crianças, com Veronica Pinheiro, coordenadora do Laboratório de Aprendizagens Selvagem; e a roda de conversa “Arte é mercadoria?”, que reuniu cerca de 40 pessoas — representantes de instituições como museus, universidades, galerias e espaços culturais, junto aos artistas e coordenadores das Escolas Vivas — para dialogar sobre a presença da arte indígena em circuitos artísticos.