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SEMENTES E TRAVESSIAS DAS ESCOLAS VIVAS: novas notícias dos territórios

By 29 de May de 2026No Comments
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SEMENTES E TRAVESSIAS DAS ESCOLAS VIVAS:
novas notícias dos territórios

29 de maio de 2026

 

Viagens, pinturas, encontros e cerimônias foram alguns dos acontecimentos de destaque das Escolas Vivas no último mês. Além da continuidade das oficinas e processos de criação das obras que integrarão a nova exposição das Escolas Vivas no Instituto Tomie Ohtake, que você pode conferir com mais detalhes na notícia “Viva Viva Escola Viva: caminhos da nova exposição das Escolas Vivas”, o mês de abril foi marcado por mutirões, visitas e atividades dentro e fora dos territórios.

Cristine Takuá, Veronica Pinheiro, Carlos Papá e comunidade da Escola Viva Maxakali na Aldeia Escola Floresta, durante oficina no território

Na Tukano-Desana-Tuyuka Living School, o Bahserikowi – Centro de Medicina Indígena, aconteceram importantes ações de fortalecimento político, intercâmbio de saberes e ampliação do diálogo entre a medicina tradicional indígena e as instituições de saúde, como a participação no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, e na Semana dos Povos Indígenas, Manaus. Na Maxakali Living School, a comunidade também se reuniu no para a celebração do Dia dos Povos Indígenas e, na Guarani Living School, o também mês foi marcado por grandes momentos de festividades e cerimônias voltadas para o território, como a cerimônia da ka’a, a erva-mate, e a cerimônia em memória da anciã Doralice Kunhã Tatá.

Na Baniwa Living School, os trabalhos seguiram intensos em torno da finalização da Casa de Formação Madzerokai e da construção da instalação “Umbigo do Mundo”, que integra a nova edição da exposição das Escolas Vivas. Na Huni Kuin Living School, abril também foi marcado pelas construções coletivas na comunidade, assim como pela realização da vivência de Artes e Dau Kuin, orientada pelo pajé Dua Buse, para a criação de telas para a exposição das Escolas Vivas.

Pajé Dua Busë na oficina “Artes e Dau Kuï”, na Aldeia Coração da Floresta, em abril

Tukano-Desana-Tuyuka Living School

Entre os dias 5 e 11 de abril, representantes do Bahserikowi, a Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka, estiveram presentes no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, maior mobilização indígena do país. Reunindo povos de diferentes territórios, o ATL é um espaço de luta e fortalecimento coletivo com o objetivo de reivindicar direitos historicamente negados e afirmar suas existências. Participando do encontro há mais de um ano, o Centro de Medicina Indígena reforçou seu compromisso com o cuidado e a defesa da vida indígena por meio da atuação do kumu Durvalino Kisibi na Tenda da Saúde, espaço dedicado ao acolhimento e à atenção integral dos participantes do acampamento. A presença do Bahserikowi no ATL destacou a importância das práticas tradicionais de cuidado em contextos de mobilização e de perspectivas interculturais no campo da saúde, especialmente em espaços de grande concentração e diversidade de povos.

Atendimento com kumu no ATL

Bahserikowi em fala de encerramento do ATL

O mês do Bahserikowi também foi marcado pela visita de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, um encontro que teve como objetivo aproximar os profissionais da rede pública das práticas e perspectivas da medicina indígena, contribuindo para um atendimento mais sensível e adequado às populações indígenas atendidas pelo sistema municipal de saúde. Durante a visita, Carla Wisu, Ivan Tukano e João Paulo Tukano apresentaram os fundamentos do trabalho realizado no espaço, os modos de atendimento e diagnóstico conduzidos pelos kumuã e práticas de cuidado como o Bahsese, fortalecendo o diálogo intercultural e reafirmando o Bahserikowi como um espaço de referência e valorização dos saberes indígenas.

Visita de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus ao Bahserikowi

Ainda no contexto de ampliação desse diálogo entre medicina indígena e instituições de saúde, a Escola Viva também participou da Semana dos Povos Indígenas, realizada pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas. A convite da instituição, os coordenadores do Centro de Medicina Indígena ministraram uma palestra sobre o trabalho desenvolvido pelo Bahserikowi e sobre os princípios que orientam o cuidado à saúde a partir das medicinas tradicionais dos povos do Alto Rio Negro. Durante o encontro, Ivan Tukano e Carla Wisu compartilharam reflexões sobre a importância dos conhecimentos ancestrais e da valorização das medicinas indígenas, além da apresentação de produtos e plantas medicinais utilizados pelo Centro. O evento também possibilitou o encontro com o diretor do hospital, que relatou ter acompanhado os diálogos e articulações no processo de construção do Centro de Medicina Indígena antes da fundação do espaço, reconhecendo a sua trajetória no acolhimento e cuidado indígena.

Carla Wisu e Ivan Tukano no evento “Semana dos Povos Indígenas”

Carla Wisu e Ivan Tukano junto à representante e ao diretor do Hospital Getúlio Vargas

Maxakali Living School

No dia 19 de abril, a comunidade da Aldeia Escola Floresta, a Escola Viva Maxakali, se reuniu para celebrar o Dia dos Povos Indígenas, um encontro marcado pela presença das famílias, das crianças, dos cantos, da comida compartilhada e dos vínculos cultivados no cotidiano da aldeia.

Dia dos Povos Indígenas na Escola Viva Maxakali

O mês de abril também foi atravessado por trabalhos coletivos ligados ao fortalecimento do território e da vida na Aldeia Escola Floresta, que partem do cuidado com a terra.  Entre bananas, roças e plantios, a Escola Viva segue fortalecendo práticas de agroecologia e subsistência que sustentam a vida comunitária e caminham junto aos processos de aprendizagem desenvolvidos no território. Essas ações fazem parte de um movimento contínuo de reflorestamento e recuperação da terra conduzido pela comunidade.

Guarani Living School

Na Escola Viva Guarani, abril foi mês de cerimônias na opy’i, a casa de reza. A cerimônia da ka’a, a erva-mate, foi realizada para consagrar o fechamento do Ara Pyau e início do Ara Ymã, reunindo crianças, jovens e lideranças ao longo de toda a noite em cantos sagrados e na partilha de histórias antigas.

Preparativos para a cerimônia de ka’a, a erva mate

No dia 18 de abril, outro momento importante foi a cerimônia em memória dos 10 anos da passagem da anciã Doralice Kunhã Tatá, importante liderança, parteira e referência feminina da Aldeia Rio Silveira. A celebração reafirmou a continuidade dos ensinamentos deixados por Kunhã Tatá, mãe de Carlos Papá, coordenador da Escola Viva Guarani, reafirmando sua importância para a comunidade e resistência guarani.

Cerimônia em memória à passagem da líder e anciã Doralice Kunhã Tatá

Ao longo de abril, também houve uma forte presença de estudantes na aldeia, através de visitas de escolas do município de São Sebastião. A Escola Viva Guarani recebeu grupos de alunos do ensino fundamental e médio para vivências na comunidade e na floresta. Durante as caminhadas, foram compartilhados ensinamentos sobre a Nhe’ëry, onde os espíritos se banham, que é como os Guarani nomeiam o território que costuma ser chamado de Mata Atlântica, além de reflexões junto a Lurdes Pará, liderança feminina da Aldeia Rio Silveira, sobre a importância do respeito aos seres da mata, às águas, às pedras e às plantas. Os encontros também abordaram a história de luta e resistência das antigas lideranças guarani, reforçando a importância do cuidado com o território e com todas as formas de vida que nele habitam.

Visita de estudantes de escola municipal de São Sebastião à Escola Viva Guarani

Em diálogo com outros territórios e processos de criação das Escolas Vivas, Carlos Papá esteve com Cristine Takuá, coordenadora geral do movimentos das Escolas Vivas, e Veronica Pinheiro, coordenadora do Grupo Aprendizagens Selvagem junto de Cristine Takuá e coordenadora do Laboratório de Aprendizagens Selvagem (LAS), na Escola Viva Maxakali, onde realizaram uma oficina de pinturas voltada à produção de obras para a exposição “Viva Viva Escola Viva”, que inaugura no próximo mês. O encontro promoveu trocas entre as escolas e fortaleceu os processos criativos desenvolvidos nos territórios.

Sueli Maxakali, Cristine Takuá, Carlos Papá e Isael Maxakali

Huni Kuin Living School

Na Escola Viva Huni Kuin, os trabalhos na construção da cozinha coletiva da Aldeia Coração da Floresta seguiram mobilizando a comunidade em torno de mutirões e melhorias pensadas para o cotidiano do território. Além da finalização da estrutura principal, a comunidade também solicitou a criação de um espaço coberto e ergonômico para as mulheres, com tanques, pias, bancadas, armários e chuveiro, além da construção de um banheiro móvel, que pode ser deslocado conforme a necessidade. Paralelamente às obras, entre os dias 29 de abril e 4 de maio, a Escola Viva realizou a oficina presencial “Artes e Dau Kuï” voltada à produção das obras para a exposição “Viva Viva Escola Viva”, no Instituto Tomie Ohtake, a partir das conversas e cantorias do pajé Dua Busë, que contou com atividades na floresta, como caminhadas e colheita de cogumelos.

Dua Busë e sua esposa Netë

O pajé Dua Busë na floresta

Comunidade da Escola Viva Huni Kuin durante oficina na aldeia

Baniwa Living School

Na Escola Viva Baniwa, a Casa de Formação Madzerokai, na Escola Viva Baniwa, continua sendo finalizada, marcando mais um capítulo de um processo coletivo iniciado há meses pela comunidade e pelos sábios da Escola Viva — trajetória marcada por mutirões, encontros e sonhos, que pode ser lida com mais detalhes na notícia “A Casa de Formação Madzerokai: um novo umbigo do mundo”, publicada em nosso site. No mês de abril, as atividades na Madzerokai focaram no alinhamento do piso, na limpeza do terreno e na retirada de raízes e tocos de árvores, assim como na construção do refeitório da Escola Viva.

Cuidados com o piso da Casa de Formação Madzerokai

Trabalhávamos e, ao mesmo tempo, ouvíamos histórias lindas que haviam acontecido anos atrás em nossa aldeia. Cada sábio contava uma história diferente. Após o trabalho, sempre sentávamos em rodas para comer a nossa quinhanpira (peixe com pimenta), o nosso peixe moqueado (peixe defumado), degustando a nossa comida típica e ouvindo as histórias de Kuwai, do surgimento das etnias, entres outras histórias lindas dos nossos sábios da Escola Viva. Cada dia de trabalho era dia de uma história diferente”, contou Francy Baniwa, coordenadora da Escola Viva.

Almoço coletivo na Escola Viva Baniwa

Entre os dias 25 e 26 de abril, a atenção da Escola Viva se voltou para a montagem da instalação “Umbigo do Mundo”, obra que seguirá para a exposição “Viva Viva Escola Viva”, no Instituto Tomie Ohtake. Primeiro, houve a preparação dos materiais, seguida pela  inicialmente foi formada a estrutura da barriga e do útero, posteriormente revestida com tucum e conectada pelo cordão umbilical ao centro da obra. Após analisarem coletivamente o resultado, os sábios aprovaram a instalação, desmontaram e colocaram as peças nas caixas para seguirem a viagem.

Instalação “Umbigo do mundo” em construção

Fotos: acervo Selvagem / Escolas Vivas