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Escolas Vivas

OFICINAS SELVAGEM NA EXPOSIÇÃO “VIVA VIVA ESCOLA VIVA”: visitas com corpo, memória e imaginação

By 7 de julho de 2026No Comments
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OFICINAS SELVAGEM NA EXPOSIÇÃO “VIVA VIVA ESCOLA VIVA”:
visitas com corpo, memória e imaginação

07 de julho de 2026

 

Acontece junto à Viva Viva Escola Viva, a nova exposição das Escolas Vivas em cartaz no Instituto Tomie Ohtake (SP) até o dia 9 de agosto, uma série de atividades educativas que convidam o público a conhecer a mostra usando mais que os dois pés. Correalizada pela Associação Selvagem, Viva Viva Escola Viva conta com uma programação que, além de visitas mediadas e experimentações no ateliê, inclui oficinas com Veronica Pinheiro, coordenadora do Laboratório de Aprendizagens Selvagem (LAS), junto ao músico Odé, que partem das narrativas, das cosmologias e dos saberes de mestres e mestras das Escolas Vivas para criar e compartilhar memórias e vivências humanas e não humanas. 

A próxima oficina aberta ao público, “Tudo na memória”, acontece no próximo sábado, dia 11 de julho, às 11h, e para participar basta se inscrever por aqui.

Oficina “Tudo na memória”, ministrada por Veronica Pinheiro para professores e educadores, no Instituto Tomie Ohtake.

Segundo a equipe do Educativo do Instituto Tomie Ohtake, até agora 505 pessoas participaram de ações educativas da exposição, incluindo estudantes, professores e público espontâneo, além de grupos como o Projeto Sociocultural Mães pela Diversidade, participantes da Residência Juntó (Programa Experiências Negras), professores das redes pública e privada e profissionais de museus e campos da cultura. 

Além das visitas mediadas e atividades do ateliê “Acordando a memória”, que propõe que os visitantes transformem suas memórias em criação no final da exposição, a programação incluiu a oficina “Umbigo do mundo” e “Tudo na memória” com Veronica Pinheiro, cuja próxima edição acontece no próximo sábado, dia 11 de julho, às 11h. No final do mês, Veronica também estará junto à Escola Viva Guarani para a oficina “Sonho do Guerreiro”, voltada para jovens Guarani da Terra Indígena do Jaraguá, em diálogo com vivências quilombolas e periféricas em torno de temas sobre território e pertencimento.

No dia 11 de julho, a proposta da oficina “Tudo na memória” é uma vivência nem humana e nem convencional da exposição, chamando a natureza e os encantados para participar da vida presente em cada obra. Segundo Veronica, “uma tela é muitas coisas além de uma obra de arte, e a tentativa dessa mediação é ativar forças de vida, da existência”. Para participar da oficina, basta se inscrever pelo site do Instituto Tomie Ohtake.

Veronica Pinheiro, responsável pelas oficinas Selvagem no Instituto Tomie Ohtake.

Mariana Per, responsável pelo Educativo do Instituto, contou que um dos retornos mais frequentes dos participantes das oficinas e demais atividades é a descoberta da amplitude dos pensamentos indígenas e da profundidade que a exposição convida a experimentar. Segundo ela, as obras mobilizam especialmente os professores a refletirem sobre como ensinar as histórias e os conhecimentos dos povos indígenas, estimulando novas formas de estudar e preparar aulas. Para isso, fica aberto o convite a acessar materiais como os cadernos Selvagem impressos para a exposição e o livro “Tekoypy rã – A origem de nós”, de Carlos Papá, disponível na loja do Instituto e pelo site da Dantes Editora. 

Até o encerramento da exposição, no dia 9 de agosto, espera-se a visita de ao menos sete escolas e uma turma de professores, assim como visitas mediadas e visitas-ateliê realizadas junto ao público espontâneo, além das oficinas de Veronica. Neste mês, o Educativo do Instituto Tomie Ohtake também deu início a propostas de acessibilidade como o Projeto Sábado Surdo, uma programação mensal com visitas mediadas em Libras pelas três exposições em cartaz no Instituto Tomie Ohtake: Viva Viva Escola Viva, Quando o Museu é Rio e Luiz Zerbini – Estrelas Escolhidas. Entre os dias 21 de julho e 02 de agosto, outras dez atividades ligadas à Viva Viva Escola Viva também acontecem, integrando a programação de férias do Instituto Tomie Ohtake, com apresentações, mediações e brincadeiras.

Atividade no ateliê “Acordando a memória”, no Educativo do Instituto Tomie Ohtake.

Oficina “Tudo na memória”

A primeira edição de “Tudo na memória” aconteceu no sábado, dia 27 de junho, e teve caráter mais formativo, propondo uma mediação amorosa para os 40 professores presentes, que incluíam profissionais da rede pública, privada, da educação básica, de universidades e representantes de educativos de museus. A oficina apresentou a exposição com informações, processos e referências, mas também trouxe o diálogo com a beleza, com a vida e com a possibilidade de afeto dentro do espaço expositivo através de canções e brincadeiras. Junto ao músico e mestre Odé, Veronica propôs uma caminhada pela exposição enquanto uma travessia entre mundos, apresentando os saberes compartilhados pelas Escolas Vivas. Ela contou sobre o processo de elaboração das obras, as oficinas nos territórios e a residência artística indígena Casa Escola Viva, que aconteceu em outubro de 2025 no Museu de Arte Moderna do Rio (MAM Rio). A residência também deu origem ao filme Nossa mão é uma flor e a uma série de publicações com depoimentos dos artistas das Escolas Vivas.  

Em diálogo com a Lei 11.645/2008, que estabelece o ensino da história e das culturas indígenas nas escolas, a oficina apresentou como os saberes indígenas escapam às divisões convencionais do currículo escolar. Falando sobre como pinturas, tecnologias e ciência se entrelaçam e podem partir de um canto, de uma memória ou de uma narrativa, a atividade trouxe a arte como pertencimento, cura e presença, organizada e mantida pela oralidade. Através de rodas, brincadeiras e cantos, foram percorridos temas como grafismos, plantas medicinais, territórios e cosmologias, e, ao final, a argila foi o veículo para o registro das impressões sobre esses arquivos vivos. Durante a visita, os educadores foram convidados a não fazerem anotações, mas construírem as memórias sobre o encontro através de criações. De olhos fechados, todos recapitularam o percurso da mediação e fizeram do ateliê do Educativo do Instituto Tomie Ohtake um berço de memórias, onde compartilharam sobre seus desenhos, suas esculturas e emoções após uma manhã de muita vida.

Oficina “Umbigo do mundo”

No dia 26 de junho, sexta-feira, cerca de 30 crianças da escola CEU Nazaré Neri Lima, situada na Zona Leste da capital paulista, participaram da oficina “Umbigo do mundo” acompanhadas pelos seus professores. Inspirada pela expressão e narrativa mítica ancestral do povo Baniwa, “Umbigo do mundo”, que também dá nome ao livro de Francy Baniwa (Dantes, 2023) e a uma das instalações da exposição, a oficina tinha como objetivo aproximar as cosmologias dos povos indígenas das Escolas Vivas às vivências e memórias das crianças, através de brincadeiras e cantorias. 

Antes de percorrerem a exposição, os estudantes se reuniram em torno do Jardim Vivo, povoado pelos seres da Mata Atlântica, chamada pelo povo Guarani de Nhe’ëry. Nessa roda, puderam se apresentar e cada um pôde escolher uma planta ou animal para ser, partindo do reconhecimento de que um território é formado por muitas formas de vida, assim como um museu também pode ser. Junto do mestre Odé, as crianças cantaram e também puderam tocar instrumentos de sopro e percussão em roda, chamando a vida pelos cantos, como as pinturas da Escola Viva Huni Kuin e da Escola Viva Maxakali.

Ao entrar na mostra, as crianças tiveram um tempo de observação para percorrer a sala. Livres, elas foram em direção ao Alto Rio Negro, onde puderam sentir os cheiros e texturas da farmácia viva da Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka. As instalações “Umbigo do mundo”, da Escola Viva Baniwa, e “Tekoypy rã”, da Escola Viva Guarani, também foram um dos primeiros destinos. Ao encontrarem os banquinhos e animais em seu interior, que disseram parecer casinhas, Veronica lembrou a fala do mestre, artista e coordenador da Escola Viva Guarani, Carlos Papá, presente no filme Nossa mão é uma flor, em que diz que, para os Guarani, “nós não chamamos de ‘arte’, nós chamamos de ‘brincar’, que é mbavyky“.  

O “Umbigo do mundo” foi o ponto de encontro para uma nova conversa sobre as informações que cada um carrega em si, sobre as formas como todos estão ligados uns aos outros, sobre os sonhos e sobre o que essa conexão faz. Algumas passagens do livro “Umbigo do mundo”, de Francy Baniwa, foram contadas e, a partir delas, todos puderam conversar sobre as materialidades trançadas pelo povo Baniwa, que vieram junto aos seus saberes para a exposição. Depois de conhecerem as telas de Frank Baniwa e Larissa Baniwa, a atividade foi em direção ao ateliê do Educativo para criar seres para habitar o mundo que construíram juntos naquela sexta-feira.

Ao final, cada um contou o que havia criado e como havia se sentido naquela manhã. Todos relataram que voltavam para casa felizes, vivos e contentes por terem participado daquele encontro. “Uma menina resumiu a experiência dizendo que a sexta-feira só tinha sido bonita e feliz porque vivemos aquilo juntos na exposição”, contou Veronica. O encontro terminou com todos emocionados e com a promessa de um reencontro entre Veronica e as crianças. “Essa foi a primeira oficina, começando no impacto de amor e de força, jogando todo mundo num lugar forte e sagrado”, disse Veronica.

Roda com estudantes e professores  da escola CEU Nazaré Neri Lima durante a oficina “Umbigo do mundo”, ministrada por Veronica Pinheiro.