UMA MANHÃ REGENERATIVA:
Selvagem no Brasil Futures Forum
01 de setembro de 2026
No dia 22 de agosto, a Associação Selvagem integrou a programação do Brasil Futures Forum em uma manhã dedicada ao tema Futuros Regenerativos, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Compondo o painel ArteCompostagens & RegenerARTivismos, Anna Dantes, diretora da Selvagem Association, a designer Karine Freire e o maestro e compositor Rodrigo Reis Rodrigues estiveram reunidos para uma conversa mediada por asú marques sobre compostagem e a criação de outros futuros possíveis, a convite do Ecotopias Lab, laboratório de design socioambiental da PUC Rio.
The Brasil Futures Forum (BFF) reúne pessoas, projetos e diferentes campos de conhecimento para imaginar e colocar em movimento futuros possíveis. Em sua primeira edição, realizada no Rio de Janeiro entre 22 e 24 de agosto, o fórum se organizou em cinco trilhas temáticas e lançou a plataforma Sementes de Futuros, um banco coletivo de ideias e iniciativas com potencial de fazer germinar outras realidades. Em parceria com o Ecotopias Lab, a Associação Selvagem integrou essa programação em um espaço de encontro entre diferentes práticas e saberes, que teve como eixo a construção de um solo comum. No painel ArteCompostagens & RegenerARTivismos, a compostagem foi tomada como método e metáfora para aproximar perspectivas, repertórios e experiências.
Junto às compostagens artísticas apresentadas por Rodrigo Reis no Instituto de Artes da UNESP e aos sonhares do bem-viver trazidos por Karine Freire, Anna Dantes compartilhou sobre a trajetória da Associação Selvagem, desde sua origem com a roda de conversa no Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 2018 até a sua formação atual, resultado de uma rede colaborativa, afetiva e orgânica.
A Associação Selvagem começou como rodas de conversa formadas por pessoas interessadas nos saberes transmitidos pela oralidade e em suas confluências com outras formas de conhecimento. Hoje, essa rede colaborativa atravessa muitas geografias, além de Ciclos de estudos, Wild Arrows, Notebooks, Ways of Knowing, Traduções, e vive em movimento recíproco com as Living Schools indigenous movement, uma relação que começou com o povo Huni Kuin, no Acre, com o projeto Una Shubu Hiwea, o Livro Escola Viva, que se desdobrou no movimento Escolas Vivas, para o apoio ao fortalecimento e à transmissão de saberes indígenas.
Construída a partir do afeto e da confiança, a parceria com as Escolas Vivas envolve um repasse mensal de R$ 10.000 para cada uma das cinco Escolas Vivas e uma parceria contínua para a realização de diversas ações, como exposições e residências artísticas, ciclos de estudos e publicações. A circulação das produções da Selvagem também busca ampliar o alcance dos saberes compartilhados pelas Escolas Vivas e convidar novos apoiadores a contribuir com esse movimento, dado que tudo o que a Selvagem realiza está em diálogo com elas e com os seus territórios.
Anna Dantes também falou sobre como os materiais Selvagem foram se enraizando e se ampliando para além do Brasil, fazendo com que os conteúdos chegassem a novas cidades, comunidades e países, o que gerou uma rede de traduções entre mundos e também apontou para novos caminhos. O Selvagem Ways of Knowing Lab, coordenado por Veronica Pinheiro, foi um deles, que se estende ao diálogo com a universidade e as escolas de ensino regular em diferentes territórios no Brasil, mas mantém como parte fundamental de sua prática a criação de espaços para trabalhar, conversar, ouvir, pensar e brincar junto com as crianças.
A presença da Selvagem no BFF e a possibilidade de trocar com Karine Freire, Rodrigo Reis Rodrigues e membros do Ecotopias Lab, como asu marques e Nathalí Garcia, também se inscreve nessa história de encontros e colaborações para pensar novas formas de relação com a Terra. Participar de sua primeira edição também foi especial pela proximidade da Selvagem com o ecólogo Fabio Scarano, membro do Conselho Consultivo do BFF. Colaborador da Selvagem desde 2018, Scarano esteve presente nos primeiros ciclos de estudos presenciais e, desde então, vem construindo diálogos entre ecologia, regeneração e diferentes formas de compreender as relações entre os seres vivos. É autor do livro Regenerantes de Gaia [Regenerants of Gaia] (Dantes, 2019) e do caderno Selvagem The language of Gaia, além de ter participado dos ciclos de estudos Sun and Regenerantes de Gaia [Regenerants of Gaia].
Em uma manhã regenerativa, a PUC-Rio foi um solo fértil para semear, compostar e fazer germinar novas possibilidades de futuro.

