BORDANDO SONHOS, REINVENTANDO FUTUROS:
Aprendizagens Selvagem no CIEP Pixinguinha
15 de setembro de 2026
No CIEP 033 Alfredo da Rocha Viana Filho (Pixinguinha), na periferia de Nova Iguaçu, região metropolitana do Rio de Janeiro, o bordado virou uma forma de reunir crianças, professores e diferentes maneiras de aprender. A atividade, inspirada nas propostas do Laboratório de Aprendizagens Selvagem (LAS), coordenado por Veronica Pinheiro, chegou à escola pelas mãos de Miriam Lígia Ribeiro, professora de Libras, e ganhou novos caminhos a partir das experiências e dos interesses dos alunos da Educação Especial e Inclusiva.
A proposta de trazer o bordado para o CIEP, em Nova Iguaçu, partiu da busca de Miriam por novas possibilidades de construir sonhos com as crianças, especialmente no seu trabalho com alunos com diferentes necessidades, entre elas autismo, baixa visão e surdez. Inspirada pela oficina Bordando Memórias, realizada pela coordenadora do LAS Veronica Pinheiro na Escola Municipal Escragnolle Dória, no Complexo da Pedreira, Miriam resolveu trazer essa experiência como uma forma de unir as vivências das crianças com aprendizagens que ampliem os aspectos do ensino tradicional. “A relação com as crianças transforma o lugar para além do português e da matemática. Outros conceitos estão na vida e normalmente as escolas tratam como se não fizesse parte”, contou. Assim, o bordado surgiu como convite para um olhar que vai além da dificuldade, criando momentos coletivos de acolhimento, criação e escuta, que dão espaço para risadas, brincadeiras e erros também.
Miriam conheceu Veronica em 2023, quando trabalhavam na Escola Municipal Escragnolle Dória. Desde 2024, junto à Associação Selvagem, Veronica constrói um percurso de aprendizagens vivas dentro desta escola, cuja caminhada vem sendo contada em seu Diário de Aprendizagens. Juntas, ela e Miriam passaram a desenvolver diferentes atividades sobre memória, negritude e lugares sagrados a partir da perspectiva das crianças na própria Pedreira, região onde Miriam cresceu, na E.M. Comunidade Jardim Pedregoso, em Campo Grande, e também em Nova Iguaçu. “Eu só vou multiplicando o que a Veronica faz”, conta Miriam rindo.
Atualmente professora de Libras no CIEP 033, Miriam diz que acompanha e se inspira nos trajetos da Associação Selvagem, como as publicações dos Cadernos Selvagem e atividades como o 2º Encontro Formativo para Professores, que aconteceu em maio de 2026 no Pão de Açúcar em parceria com o Projeto Maravilha.
Entre as crianças que participaram da atividade está Yanni, sua aluna surda de 8 anos, que foi a primeira a bordar um girassol. Miriam vem sonhando com uma proposta de escola bilíngue, incorporando Libras e metodologias ativas para estudantes do Ensino Fundamental que valorizam outras formas de expressão que não passam só por cálculos matemáticos ou textos escritos. Segundo ela, o bordado se insere nesse processo como mais uma possibilidade de participação e expressão que, inclusive, tem despertado o interesse de outros alunos e professores. “Sempre tem alguém que não é da Educação Especial que quer chegar, sentar e fazer. Isso é inclusão”, contou Miriam. Para ela, essa convivência é parte fundamental da experiência de bordar juntos, tornando-se “um espaço de acolhimento que transforma a educação através da Educação Especial”.
Os bordados criados pelas crianças se transformaram no projeto “Reinventando um futuro possível a partir dos multiletramentos e da poesia da vida”, uma exposição que será inaugurada no palco do shopping de Nova Iguaçu, dia 24/09 às 14h, celebrando os potenciais artísticos da turma de Educação Especial. Desenvolvido pela professora Luciane em parceria com a professora Natally, contando com a colaboração de Miriam e das profissionais de apoio Jessia, Nanci, Eliane e Luciene, todas do CIEP 033 Alfredo da Rocha Viana Filho, a proposta é uma mostra que seja como uma colcha de retalhos que parte das vivências de cada um para costurar uma história conjunta. Para além da exposição, a continuidade da atividade com bordado na escola também está sendo pensada pelas professoras, assim como novas formas de multiplicar caminhos Selvagem.
Fazer parte da construção de experiências como essa é uma grande alegria para a Selvagem. Os caminhos do bordado no Laboratório de Aprendizagens Selvagem (LAS), assim como os Diários de Aprendizagens de Veronica Pinheiro, estão disponíveis em nosso site e reúnem as sementes e os frutos que têm acompanhado este percurso.
Se você também realizou alguma atividade a partir de materiais Selvagem, convidamos você a compartilhar essa experiência com a gente por este formulário. Além de ser uma grande alegria, esse retorno é muito importante para nós acompanharmos os desdobramentos dos materiais Selvagem pelo mundo.
Fotos: Acervo Selvagem
