SELVAGEM NO LABIC AMAZONAS
04 de março de 2026
Entre os dias 4 e 8 de fevereiro, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), aconteceu mais uma edição do LABIC Amazonas, um grande encontro com debates e formações sobre cultura digital, comunicação, ancestralidade, tecnologias, arte, educação e ciências.
Mais de 30 projetos e dezenas de comunicadores e educadores indígenas da região do Alto Rio Negro, além de representantes de instituições e órgãos como o Ministério da Cultura, se reuniram para quatro dias de oficinas e falas diversas.
Selvagem esteve presente no LABIC através das participações de Cristine Takuá, coordenadora geral do movimento Escolas Vivas, e Francy Baniwa, coordenadora da Escola Viva Baniwa e autora do livro Umbigo do Mundo (Dantes, 2023), da coleção Selvagem.
Francy fez uma fala online na conferência de abertura do LABIC, com o tema “Ciências Indígenas e o Umbigo do Mundo“. Francy compartilhou sua visão sobre o movimento Escolas Vivas, falou de seu trabalho coordenando a Escola Viva Baniwa e também sobre o livro Umbigo do Mundo, que escreveu a partir de diálogos com seu pai, Francisco Fontes Baniwa, sobre a memória, mitologia e tradição do povo Baniwa.
“A primeira universidade, que tem esse lugar de importância, é o nosso território, onde a gente vive. Então eu sempre consigo olhar para as comunidades, para o território, para o próprio Rio Negro como essa primeira universidade. Por que eu falo isso? Porque é um lugar que te proporciona o primeiro conhecimento. Eu acho que, pra gente falar sobre ciências indígenas, a gente precisa olhar pras nossas comunidades, olhar pro nosso território.”

Assista aqui a fala de Francy Baniwa na íntegra
Cris Takuá apresentou uma fala intitulada “Escolas Vivas e Ciências Indígenas”, acompanhada das falas de Dzoodzo Baniwa e Rafael da Silva Maximiniano. Cris compartilhou seu trabalho com as Escolas Vivas, apresentou a Selvagem e exibiu a Flecha 7 – A fera e a esfera para o público presente.
A fala de Cris teve um impacto muito positivo no público presente. Na ocasião, por exemplo, um educador de contexto urbano, que vive em Manaus, disse que não sabia que o Centro de Medicina Indígena Bahserikowi era uma Escola Viva, e afirmou que agora vai querer somar às atividades e se aproximar mais do Centro.
“A Escola Viva não é o prédio da escola. Para nós, beira do rio é sala de aula, a sombrinha debaixo da árvore é sala de aula, quando a gente está sonhando é um espaço de sala de aula – porque o sonho também transmite conhecimento. Todos os processos que a gente vivencia nos nossos territórios são sala de aula.”

Assista aqui a fala de Cristine Takuá na íntegra
O LABIC Amazonas foi uma realização do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio de sua pró-reitoria de extensão.
Agradecemos à organização da LABIC Amazonas pelo espaço, e a Francy e Cristine por representarem a Selvagem e as Escolas Vivas nesse encontro tão importante.
