MAIS UM ANO DE ESCOLAS VIVAS
26 de fevereiro de 2026
O ano de 2026 começou com muitas atividades e sonhos entre os 5 projetos que integram o movimento Escolas Vivas, com a coordenação geral de Cristine Takuá.
Desde o início do ano, o repasse financeiro mensal para cada Escola aumentou para R$10.000,00 mensais, o que incentivou melhorias, novos projetos e a ampliação das possibilidades de ação de cada território.
Além disso, vem aí uma nova exposição das Escolas Vivas, com inauguração prevista para junho de 2026, em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Essa exposição, com curadoria de Cristine Takuá, é um desdobramento da exposição Viva Viva Escola Viva e da residência artística Casa Escola Viva, e também inclui a realização de oficinas em cada território, em preparação para a exposição, o que tem movimentado e engajado as comunidades de cada Escola Viva desde o ano passado.

Obras comissionadas para a exposição, sendo criadas nas Escolas Vivas Baniwa e Guarani
A Escola Viva Tukano-Dessano-Tuyuka, que tem sua sede em Manaus, realizou no começo do ano uma viagem para os territórios do Alto Rio Negro, fazendo um intercâmbio de saberes com kumuã – especialistas em saúde indígena – e outras lideranças.
Nessa viagem, o coordenador João Paulo Tukano teve a oportunidade de conversar com Rosa Tukano, uma mulher kumu do povo Tukano. Especialistas nessa tradição na maioria das vezes são homens, e pouco se conhece sobre kumuã mulheres; nesse sentido, o encontro com Rosa foi muito importante e especial.

Rosa Tukano e João Paulo Tukano
O Bahserikowi atua na comunicação entre as aldeias e o centro urbano de Manaus, fazendo um importante trabalho com a medicina tradicional indígena e sua divulgação para a população, atendendo todos os tipos de pessoas e realizando diálogos com instituições. O Centro mantém suas atividades cotidianas, que envolvem o atendimento de saúde da população com especialistas kumuã, a confecção de artesanatos e pinturas, a realização de encontros e a participação em eventos como seminários e congressos sobre saúde e educação.

Oficina de flautas kariçu com o kumu Kisibi, na sede do Centro de Medicina Indígena Bahserikowi
Em janeiro, Carla Wisu, que também é coordenadora no Bahserikowi, foi entrevistada pelo On Jornal, um veículo de mídia de Manaus, sobre o trabalho com a Escola Viva. Carla apresentou reflexões na perspectiva de uma mulher indígena, discutindo o que significa a medicina indígena para as mulheres na atualidade e como é possível trabalhar esse tema no campo da pesquisa, a partir da experiência vivida no próprio Centro de Medicina Indígena Bahserikowi. A entrevista está disponível na íntegra aqui.

Entrevista de Carla Wisu no On Jornal
No caso da Escola Viva Baniwa, o aumento no valor mensal permitiu que mais 2 mestres da Escola Viva passassem a receber uma ajuda de custo mensal para suas aulas junto à comunidade. Em dezembro, aconteceu na comunidade de Assunção um grande encontro de parteiras, com a participação de 2 mestras da Madzerokai, Bibiana Fontes e Isabel. A programação do encontro incluiu também o compartilhamento de sementes e mudas de plantas utilizadas na medicina tradicional, com o sonho de criar uma farmácia tradicional e colaborativa com a Escola Viva e a comunidade.

Encontro de parteiras na comunidade de Assunção
A Escola Viva Baniwa segue ativa e engajada na construção de sua nova sede, uma ampla Casa de Formação, incluindo refeitório e alojamento, em um espaço onde funcionou a primeira escola da comunidade. O projeto está em sua reta final e deve ser inaugurado ainda no primeiro semestre de 2026.
Francy Baniwa, coordenadora da Escola Viva Baniwa, conta que, em dezembro e janeiro, a Escola Viva teve dificuldades com a falta de alguns materiais necessários para a construção da casa, mas a comunidade se envolveu e encontrou soluções:
“Mesmo com dificuldades a construção está em andamento. Mas o importante é não deixar o trabalho parado. Essa construção é importante para comunidade de Assunção, é muito importante para todas as famílias e para todos os povos do rio Içana e seus afluentes, pois existem, sim, dificuldades para cada projeto, mas devemos mostrar o trabalho com excelência para os nossos comunitários. É por isso que estamos aqui. E vamos continuar esse trabalho com muita dedicação.”


Nova sede da Madzerokai em construção
Na Escola Viva Huni Kuin, o pajé Dua Busë e sua companheira Netë seguem com o trabalho de cultivo de plantas medicinais e a transmissão de saberes, artes, ofícios e conhecimento da cultura Huni Kuin. Netë é mestra artesã e uma importante liderança feminina em sua comunidade, orientando jovens Huni Kuin em diversas práticas. Dua Busë, além de oferecer aulas regulares em diversas áreas para sua comunidade, também realiza atendimentos de saúde com medicina tradicional em sua aldeia, Coração da Floresta, e em aldeias vizinhas no Rio Jordão.
Desde o final de 2025, o Instituto Flor da Floresta – Ni Hua, com base no município do Jordão, tem colaborado com as ações e a comunicação com a Escola Viva Huni Kuin, recebendo Dua Busë e outros membros da comunidade para a realização de oficinas e pesquisas sobre saberes medicinais. A comunidade sonha com uma ampliação dos roçados, do plantio de ervas medicinais e com a construção de uma cozinha comunitária.

Oficina com Dua Busë, Netë e comitiva da Escola Viva Huni Kuin, na sede do Instituto Flor da Floresta
A Escola Viva Guarani, Arandu Porã, completou, em janeiro, a reforma da opy circular presente em sua sede. A casa de rezas e estudos teve o telhado arrancado pelos ventos de um ciclone extratropical no ano passado, que causou muitos outros danos e levou a meses com muitos mutirões de reparos e reforma na Escola Viva.

Casa de reza reformada
Em janeiro, foi realizada também uma oficina de entalhe em madeira e xilogravura na Escola Viva Guarani, que envolveu diversas pessoas da comunidade e muitos jovens; e uma oficina de pintura, junto ao Instituto Tomie Ohtake, em preparação para a exposição das Escolas Vivas em junho de 2026. A segunda casa de reza da Arandu Porã, construída no ano passado, tem sido usada frequentemente para encontros, oficinas e cerimônias de fortalecimento espiritual. Outros projetos estão sendo sonhados e elaborados, como o resgate do cultivo de abelhas nativas na Escola Viva.


Oficina de xilogravura com os jovens da Escola Viva Guarani
A Escola Viva Maxakali passou por um período difícil no início de 2026, com muitos casos de adoecimentos na comunidade. Nesse momento, o apoio do movimento Escolas Vivas tem garantido que a comunidade mantenha sua autoestima e saúde através do fortalecimento de suas cerimônias espirituais, muito importantes para a vida do povo Maxakali. Muitos rituais têm sido realizados no território, para cura e proteção da comunidade, além do cultivo e partilha de alimentos.
A Escola Viva segue realizando também suas atividades de manejo ecológico, reflorestamento e transmissão de saberes tradicionais Maxakali para os jovens da comunidade.


Preparo e realização de ritual de proteção na Escola Viva Maxakali
As Escolas Vivas são um movimento de apoio a esses 5 projetos dedicados ao fortalecimento e a transmissão de saberes tradicionais. Para quem deseja contribuir, é possível apoiar financeiramente o movimento através do nosso site.
Selvagem e as Escolas Vivas agradecem!
