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Veronica Pinheiro's Diary

O FUTURO É COLETIVO: Laboratório de Aprendizagens Selvagem

By 19 de March de 2026#!31Mon, 23 Mar 2026 16:33:14 -0300-03:001431#31Mon, 23 Mar 2026 16:33:14 -0300-03:00-4America/Sao_Paulo3131America/Sao_Paulo202631 23pm31pm-31Mon, 23 Mar 2026 16:33:14 -0300-03:004America/Sao_Paulo3131America/Sao_Paulo2026312026Mon, 23 Mar 2026 16:33:14 -0300334333pmMonday=821#!31Mon, 23 Mar 2026 16:33:14 -0300-03:00America/Sao_Paulo3#March 23rd, 2026#!31Mon, 23 Mar 2026 16:33:14 -0300-03:001431#/31Mon, 23 Mar 2026 16:33:14 -0300-03:00-4America/Sao_Paulo3131America/Sao_Paulo202631#!31Mon, 23 Mar 2026 16:33:14 -0300-03:00America/Sao_Paulo3#No Comments
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O FUTURO É COLETIVO
Laboratório de Aprendizagens Selvagem
Veronica Pinheiro

19 de março de 2026

 

Peço licença mais uma vez, pois são tempos de novas cheganças. O amor aglutinou caminhos e o percurso Aprendizagens se expandiu: agora somos cinco escolas em confluência. Alguns chamarão isso de “metodologia”; nós chamamos de vida atravessada. Atravessados por seres-criança, por gente-árvore, por rios-avós e por infinitas existências, chegamos a 2026 com muitos braços, pernas, cabeças e corações. O que antes era percurso agora é corpo. Agora somos o Laboratório de Aprendizagens Selvagem.

Entre 2024 e 2025, o Grupo Aprendizagens Selvagem consolidou sua presença na Escola Municipal Professor Escragnolle Dória, na favela da Pedreira, no Rio de Janeiro. Ali, onde o asfalto convive com ausências estruturais, aprendemos que a imaginação é uma tecnologia de sobrevivência, e que as crianças são seres que habitam simultaneamente tempos distintos: presente-futuro-passado, tempo rítmico, tempo encantamento e tempo brincante. 

Com as crianças da Pedreira, aprendemos a plantar saudade pequena e a estar debaixo do sol sem pressa. Aprendemos a tecer boas memórias e a ver com o olho de ver miúdo. Essas crianças-semente germinaram tanto que hoje suas vivências pulsam diálogos em cinco regiões no Brasil. As crianças apontaram caminho. Elas, que nunca saíram do Rio de Janeiro, habitaram conselhos de classe, congressos sobre infâncias e aulas em universidades no Brasil e fora dele. Longe das teorias, junto das crianças, construímos trajetória, e hoje a Associação Selvagem articula alegria em cinco escolas públicas, ao mesmo tempo que articula delicadezas em duas universidades federais.O LAS pretende articular pesquisas, criação e práticas pedagógicas que valorizam a interculturalidade, os saberes territoriais e as ecologias de cuidado. O trabalho atenderá diretamente 100 professores e educadores populares (nos cursos de Aprendizagens Interculturais); e ainda, aproximadamente, 1.000 crianças matriculadas no Ensino Fundamental e Médio, fortalecendo redes locais de aprendizagem.

O que você verá a seguir não é um mapa de fronteiras — é um mapa de vínculos. Existe uma hipótese etimológica segundo a qual a palavra vínculo está ligada a “brincar”. Foi brincando, sem pressa, caminhando no passo das crianças, que o grupo Aprendizagens não achou respostas, mas perguntas. E iniciamos 2026 perguntando:

O que acontece quando a escola escuta o território? O que acontece quando a universidade decide voltar ao ciclo básico?

Você lerá, ao longo de 2026, páginas de um diário composto por mapas que não aparecem no Google. Mapas feitos de barro, poeira vermelha, vento do Sul, água do Norte, calor da Caatinga e concreto quente da favela.

Onde nos encontrar em 2026:

Região Sudeste
Escola Municipal Professor Escragnolle Dória
(Favela da Pedreira, Costa Barros, Rio de Janeiro) 

Região Sul
Instituto Estadual de Educação Indígena Ângelo Manhká Miguel
(Terra Indígena Inhacorá Kaingang, São Valério do Sul, Rio Grande do Sul) 

Região Centro-Oeste
Colégio de Aplicação Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação
(Campus universitário, Goiânia) 

Região Norte
Escola Municipal Horácio José Rodrigues
(Comunidade quilombola Barra de Aroeira, Santa Tereza do Tocantins)

Região Nordeste
Escola E.M.T.I. Governador Adalto Bezerra
(Região do Cariri, Ceará)

 

Em apenas dois meses de contato, aprendemos que, se a escola ouvir o território, saberá que:

“Território não é propriedade, é parente.” — Professor Sebastião Luis Kaingang (Região Sul)

“Liberdade não é conceito. É prática herdada.” — Professora Salviana (Região Norte)

“O Cerrado insiste em ensinar que o que parece seco está vivo por dentro.” — Professora Cássia (Região Centro-Oeste)

“O vínculo é infraestrutura invisível. Isso não cabe no livro.” — Professora Genicelle Colchone (Região Sudeste)

“De repente ouço o aboio e olho pro céu. Um mundo de poesia e memórias chegam junto e abraçam a manhã.” — Professor Franklin Lacerda (Região Nordeste)

“As cantigas emanadas carregam em si lembranças de tempos outros, da natureza e de fatos da realidade sertaneja local.” — Professor Diego Brito (Região Norte)

 

The Laboratório de Aprendizagens Selvagem caminha em companhia. Seus passos não se fazem sozinhos: eles encontram outras trilhas onde o pensamento também deseja respirar fora das cercas rígidas da escolarização do conhecimento. É nesse encontro que surgem as parcerias com as universidades.

Com a Universidade Federal do Pampa, o LAS encontra uma paisagem de horizontes largos: o curso de extensão Aprendizagens Interculturais, da UNIPAMPA, junto à Selvagem, compartilhará gratuitamente aulas para professores e educadores por dez meses de forma remota e com a presença de especialistas e mestres indígenas e quilombolas. 

Com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, entre matas, rios e terras cultivadas, o encontro acontece como quem planta. A universidade se aproximará do chão onde crescem as práticas pedagógicas do LAS, e desse encontro brotarão pesquisas, diálogos e experimentações nas áreas de Ciências Biológicas.

O LAS compreende o território como uma composição viva de memórias, cosmologias, história, ciências, indicadores sociais, culturas locais e ecologias comunitárias. A partir disso, pretendemos cartografar, de forma colaborativa, caminhos expandidos. Mapeando rios de memória que correm entre gerações, onde o saber passa de boca em boca, de canto em canto, de gesto em gesto.

Cartografar corpos que aprendem juntos: crianças, mestres, árvores, rios, bichos e encantados, para compor uma narrativa feita de presença, escuta e criação. 

Esperamos conseguir contar as histórias desses territórios de aprendizagem, com muita responsabilidade e as devidas permissões. Sabendo que escola, floresta, quintal, terreiro e vereda deixam de ser lugares separados e passam a compor uma mesma paisagem de conhecimento. 

Cartografando os saberes que brotam da terra, desejamos aprender a escutar o buriti crescer, acompanhar o tempo das águas e, com o voo das aves, aprender a desenhar outros horizontes. Mais do que registrar lugares, o LAS busca desenhar constelações de aprendizagem, comunicando como cada território guarda suas próprias formas de ensinar, lembrar e imaginar a continuidade dos mundos.

EQUIPE DE COLABORADORES LAS NAS ESCOLAS E UNIVERSIDADES

Adriana Colling
Cassia Oliveira
Daniele Oziene Silva
Diego Brito
Franklin Lacerda
Genicelle Colchone
Lana Fonseca
Maria Cristina Graef
Onorio Isais de Moura Kaingang
Salviana Rodrigues
Sebastião Luis Kaingang