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Diário Cristine Takuá

ACORDAR DO DIA

By 15 de agosto de 2024novembro 27th, 2025No Comments
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ACORDAR DO DIA
Cristine Takuá

15 de agosto de 2024

 

 

Desenho: Isael Maxakali

 

CANTO DO POVO DE UM LUGAR

(Música de Caetano Veloso traduzida para Maxakali)

Todo dia o Sol levanta 

E a gente canta o Sol de todo dia 

Finda a tarde a terra cora 

E a gente chora porque finda a tarde 

Quando à noite a lua mansa 

E a gente dança venerando a noite 

TIKMÛ’ÛN KUTEX HÃM PUXET TU

Mãyõn yã hãm tup pip ma xupep 

Hakmû tuk kutex mõkumak hãmtup pip ma

Mõnãm tûmnãg tu yã nãm te hãm’atã nãhã 

Iîg mûg potaha ãmãxãgnãg yî 

Mãyõnhex ãmniy pipma nõgtap 

Yîg mû ãte hãm yãg ûmõg me’ex ãmnîyhã

Arte: Isael Maxakali

Na bruma suave que envolve o amanhecer, crianças, jovens, avózinhas e adultos se misturam numa melodia de risos, cantos e contação de sonhos. A fumaça da fogueira, junto ao foguinho que faz o café ou esquenta a água para o chimarrão, se faz presente. Pássaros cantam e encantam os momentos que a cada novo momento vivemos no acordar do dia.

O Sol é considerado um guia e um criador, uma fonte de vida e energia, um ser sagrado que aquece e ilumina, com suas camadas radiantes, para nos encorajar a animar a caminhada dos anseios e desafios. Cada povo, em sua memória ancestral, o nomeia à sua forma: os Guarani o chamam de Kuaray ou Nhamandu, quando se referem à sua divindade, os Maxakali, de Mãyõn, os Baniwa, de Kamoi e os Huni Kuï, de Bari.

Foto: Cadu Castro, aldeia Rio Silveira

Muitos sábios anciãos dizem que o Sol se levanta todos os dias somente por conta da preciosa presença das criancinhas aqui na Terra. É por elas, segundo eles, que o sagrado Sol ainda vem, mesmo com tantas contradições humanas.

Hoje, muitos crescem tendo medo dele, sempre pensando nas mudanças climáticas e no aquecimento do planeta, mas não se lembram, ao acordar e ao entardecer, de reverenciá-lo. Os povos indígenas, desde crianças, são ensinados a honrar e reverenciar o Sol, a lua e todas as entidades do céu e da Terra, os visíveis e invisíveis. E imersos, nessa poética de resistência, cada um, a seu modo, busca seguir os rastros de seus antepassados com respeito, delicadeza e beleza.

Desenho: Jose Vhera Guarani

 

NHAMANDU TENONDE
Nosso Deus Sol Primeiro 

Nhamandu tenonde

Oyvarapy py

Imba’ekuaa gui

Onhembojera

Pytuymã mbyte gui

Nhanderu

Nhamandu tenonde

Nhamandu tenonde

Tenonde

Tenonde

Foto: Cris Takuá