O REZO COLETIVO ATIVA A CURA E ANIMA A VIDA
Cristine Takuá
04 de novembro de 2024
Foto: Carlos Papá
O rezo coletivo ativa a alegria do dia a dia, despertando a cura e direcionando os caminhos em busca de conhecimento. As Escolas Vivas também são um encontro de espiritualidades. Há alguns anos venho tecendo redes de trocas entre os povos Huni Kuï, Guarani e Maxakali. E, nessa teia de relações, a cura é uma busca coletiva através dos aprendizados trocados e do diálogo constante com as plantas e os sonhos da Terra Viva – Hamhi, da Escola Viva – Una Shubu Hiwea, do Bem Viver – Teko Porã.
Tenho visto com muito encantamento os aprofundamentos das práticas de fortalecimento que têm desabrochado dessa ação que estou coordenando. Não estamos falando somente de processos educacionais teóricos, mas sim estamos buscando ativar caminhos de cura para o despertar das memórias e a efetividade da alegria como metodologia de estudo.
Arte: Fabiano Kuaray
Dialogar com as plantas e aprender com elas meios de se conectar com os saberes ancestrais é de uma potência muito extraordinária. Como venho dizendo há alguns anos, a bíblia, a cachaça e o currículo das escolas atravessaram nossas culturas, nossas memórias e nossos corpos de forma muito estratégica para silenciar e apagar uma infinidade de saberes e fazeres.
Mas, através do diálogo com algumas plantas e com as trocas espirituais entre os povos que compõem esse coletivo, estamos vendo o florescimento de uma nova história. Da chakrona à embaúba, do tabaco ao jagube, do guiné ao jaracatiá vamos vendo a cada dia um recomeço. Esse processo todo foi sonhado, e estamos vendo a sua transformação nos nossos territórios. A arte caminha junto com a cura e, através dessas manifestações criativas, jovens, crianças e anciãos vêm desenhando o mundo de seus sonhos, o mundo das visões que vêm se abrindo nesse portal cristalino e colorido.
Arte: Delcida Maxakali
Arte: Voninho Maxakali
Nos estudos das Escolas Vivas, o canto é umas das partículas fundamentais da transformação de histórias e falas muito antigas sobre a vida e todos os seres. Tem canto pra chamar o espírito que está longe, canto pra curar susto, canto pra chamar o nenê na hora do parto, canto pra despedir do espírito que encantou, canto pra afastar más energias, canto pra alegrar e canto pra concentrar. Dentro desse estudo, cada um vai desenvolvendo e buscando enxergar a profundeza desse conhecimento tão sagrado.
Saber esses códigos e entender os mistérios das belas falas é um processo de ensino e aprendizagem que toda escola deveria valorizar. Decifrar e praticar os seus direcionamentos nos coloca num lugar de saber ser e estar de boa e bela forma nos lugares onde caminhamos.
Saúdo todos os mestres e mestras que nos guiam nesse mundo de imperfeições.
Agradeço às plantas e aos encantados por aproximar nossa prática e nos fortalecer a cada dia.
Foto: Cristine Takuá
Arte Maxakali
Arte: Sueli Maxakali
