DESEMBARCANDO DA EXPOSIÇÃO:
imersão na Escola Viva Guarani e o retorno aos territórios
01 de setembro de 2026
A montagem e a abertura da exposição “Viva Viva Escola Viva” no Instituto Tomie Ohtake, que esteve em cartaz do dia 10 de junho a 9 de agosto, marcaram o terceiro grande encontro presencial das Escolas Vivas, um movimento que seguiu para além da cidade de São Paulo. Após a inauguração da exposição, coordenadores, artistas e integrantes das cinco Escolas Vivas zarparam em direção à Escola Viva Guarani, na Terra Indígena Ribeirão Silveira, para uma imersão na Nhe‘ëry (Mata Atlântica) à convite de Cristine Takuá, coordenadora das Escolas Vivas. Ao final desse percurso, cada Escola Viva retomou o seu caminho de volta, dando continuidade às suas atividades e trouxeram novidades dos territórios, entre as quais destacam-se os novos encontros da Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka e uma nova exposição da Escola Viva Guarani no Museu das Culturas Indígenas, em São Paulo, em cartaz até dezembro de 2026.
Cinco dias na Escola Viva Guarani
Na manhã seguinte da abertura de Viva Viva Escola Viva, no dia 10 de junho, as Escolas Vivas seguiram até a Aldeia Ribeirão Silveira, onde mora a coordenadora das Escolas Vivas, Cristine Takuá, junto a seu companheiro Carlos Papá, coordenador da Escola Viva Guarani, e sua família, para cinco dias de convivência e imersão na Nhe’ëry (Mata Atlântica).
Depois de duas semanas de trabalho em torno da montagem da exposição na capital paulista, o encontro se voltou para novas trocas, sendo o terceiro grande encontro presencial das Escolas Vivas. O primeiro aconteceu na primeira edição da exposição Viva Viva Escola Viva, realizada na Casa Brasil, no Rio de Janeiro, entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024. Em seguida, a residência artística Casa Escola Viva, em outubro de 2025, foi novamente um momento de reunião em torno da criação artística e do intercâmbio de saberes e histórias através da arte.
A programação dessa terceira imersão se iniciou com uma grande roda de conversas e cantos na opy’i, a casa de reza, em que todos os coordenadores e representantes das cinco Escolas Vivas presentes tiveram a oportunidade de falar sobre seu trabalho, seu território e os movimentos atuais de sua Escola Viva, além de compartilhar cantos e rezas.
Após essa conversa inicial, os dias incluíram caminhadas na floresta, cerimônias de fortalecimento espiritual e inúmeros momentos de diálogo, convívio e partilha entre as diferentes Escolas Vivas presentes e a equipe Selvagem, buscando novos caminhos para os desafios enfrentados nos territórios.
Durante a imersão, também foram realizadas filmagens com cada coordenador e coordenadora, que trouxeram falas aprofundando temas, como a história das plantas medicinais, o surgimento dos cantos ritualísticos e a importância dos saberes das mulheres indígenas, entre outros. As falas serão publicadas em breve no site e canal Selvagem.
De volta aos territórios
Além de ter acolhido a reunião das Escolas Vivas, a Escola Viva Guarani realizou diferentes atividades entre a Terra Indígena Ribeirão Silveira e a cidade de São Paulo, como o encontro “Diálogos com mulheres e meninas sobre o Bem Viver, parto, plantas e resistência”, dando continuidade às trocas sobre conhecimentos, práticas e modos de vida Guarani, uma visita mediada à exposição Viva Viva Escola Viva com jovens da Escola Viva Guarani e da Terra Indígena do Jaraguá e o lançamento de Ayvu Porã, a nova exposição do Museu das Culturas Indígenas, em cartaz até dezembro de 2026 em São Paulo, que reúne xilogravuras produzidas por jovens Guarani da Escola Viva Guarani, da aldeia do Jaraguá e do Vale da Ribeira.
Após a imersão, a Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka, o Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, retornou à Manaus e seguiu nas articulações para ampliar a circulação e comercialização dos artesanatos produzidos no espaço, assim como no planejamento para a retomada da produção de medicamentos tradicionais em seu laboratório.
Ao longo do mês de junho, receberam também a visita de estudantes dos cursos de Medicina e de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e de integrantes do coletivo Lideranças Antirracistas, que aproximaram os participantes dos conhecimentos e das práticas da medicina indígena e deram continuidade ao diálogo entre os saberes tradicionais e a universidade. Outro acontecimento de destaque foi a participação de Carla Wisu, coordenadora da Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka, no ClimaPET, em Porto Velho (RO), onde apresentou perspectivas indígenas sobre as relações entre clima, território, biodiversidade e saúde.
Registro do encontro com o coletivo Lideranças Antirracistas no Bahserikowi.
Estudantes da UFAM no Bahserikowi.
Participação de Carla Wisu no evento ClimaPET, em Porto Velho (RO).
Fotos: Acervo Selvagem.
Na Escola Viva Baniwa, na Terra Indígena Alto Rio Negro, os trabalhos de construção da Casa de Formação Madzerokai avançaram em uma nova etapa. Entre os dias 18 e 30 de junho, foi retomada a escavação e a preparação do piso do centro de formação. Mesmo enfrentando limitações de materiais e outros desafios da finalização, Francy Baniwa, coordenadora da Escola Viva Baniwa, contou que a construção segue sendo realizada de forma coletiva, sempre com muito xibé e farinha.
Na Escola Viva Huni Kuin, o retorno ao território veio acompanhado de novas reformas na casa do pajé e coordenador da escola, Dua Busë, e de sua esposa, Netë. Já a Escola Viva Maxakali seguiu dando continuidade ao plantio, ao reflorestamento e ao trabalho de agrofloresta do território junto às suas cerimônias e rituais com a comunidade.
